Gostei do Natal

Mestre Camilo falou da «gente jubilosa de bom patriotismo e melhor jantar», enquanto ao lado havia os que tinham «fome e frio». A patriotas de barriga cheia já ouvi negarem a validade de uma política de turismo que torne a cidade atractiva. E ouvi que quantos mais turistas vierem mais se descaracteriza o Porto! Mais perde a identidade, etc.

É fácil bolsar tais diagnósticos quando se tem rendimentos, bolso abonado e fala diletantemente de sacrifícios. A uma cidade com 15 a 20 mil desempregados, numa região fustigada pela crise social, impõe-se realismo na defesa do valor chamado Bem Comum. E o Turismo surge, em tempo sombrio, como factor susceptível de animar o comércio, criar emprego, desenvolver o Porto e a região. A melhor indústria para substituir as fábricas encerradas.

Mas um turismo para todo o ano. Que atraia visitantes, os ocupe e motive para comprarem, oferecendo diferença e qualidade. No último dia de 2012 andei na Baixa e eram quase tantos turistas como indígenas. Este é o caminho.

E, como sou da Vitória e digo o que penso, acho que, pela primeira vez desde que me lembro, houve uma programação da Festa do Natal à altura das circunstâncias. Música nas ruas, espectáculos, feiras, concertos magníficos, exposições, cantares, mercados, circo, teatro, tertúlias. E outras coisas na cidade animada e iluminada. Em tempo de guerra, que muitos travam para não desistir da cultura e da dignidade, o Natal portuense foi assumido como factor de auto-estima, qualificação da urbe e dos habitantes, internacionalização e, sobretudo, desenvolvimento. É disto que o Porto precisa: no Carnaval, na Páscoa, no S. João, no Verão, no Outono – potenciando quanto de melhor possa oferecer. Para cultivar a mola real do sucesso que se chama criar riqueza. Ou então chamem-lhe prosperidade.

Helder Pacheco, Janeiro 2013

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~ por Helder Pacheco em 21/01/2013.