Do Metro, Como Musica

Ligamos a televisão à hora dos telejornais e, de ponta a ponta do espectro centralista que as tutela, só vemos vigarices, miséria material e cívica e assaltos a bancos por bandidos amadores e bandidos propriamente ditos, de colarinho branco. Vemos os tentáculos do polvo corruptor mexendo os cordelinhos que, a partir da Capital, transformaram este país numa mixórdia.

Boas notícias são raras, já que os mixordeiros internacionais equivalem aos caseiros. Mas, enfim, alguns deles vão malhando – como no Brasil ou nos States – com os ossos na cadeia (por cá, apetece ir a pé a Fátima quando o primeiro mixordeiro da nacional-sabujice for preso por uns anos).

Sobre o Burgo, as más notícias fazem-nos querer ser catalães (ao menos têm ideais). Por exemplo: o desinteresse do Estado em assumir as obrigações de repor o que lhe compete na reabilitação urbana do Porto. O aeroporto talvez passe a apeadeiro dos fretes do Império. O Metro do Porto chegará à Trofa quando as galinhas tiverem dentes, tal como a sua expansão a novas linhas fica para as calendas, etc., etc.

É por isso música celestial para os meus ouvidos ler no jornal espanhol de viagens “El Mundo”, os maiores elogios à concepção e funcionamento do Metro portuense, designando-o como «compromisso da cidade com a melhor arquitectura» e «grande atracção por si mesmo». A mobilidade do Burgo é também destacada, incluindo o elevador dos Guindais e o teleférico de Gaia. E o “Andante” – recarregável, flexível, permitindo a circulação por toda a Área Metropolitana – é colocado nos píncaros.

Que pena esta cidade, nos últimos 60/70 anos, não ter tido mais cabeça, melhor gestão e menos traições para enfrentar o monstro insaciável chamado Terreiro do Paço, de forma a ocupar o lugar a que tem direito e lhe compete no país adiado.

Helder Pacheco, Janeiro 2013

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~ por Helder Pacheco em 05/02/2013.