HELDER PACHECO

A Marca São João

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Já ouvi a música do arraial perto de casa. E lá montaram as barracas dos comes-e-bebes (onde conto atacar as bifanas) e os carrocéis. É bom sinal. Se não chover, ao menos durante quinze dias, a cidade-fantasma do despovoamento anima-se. E por aí fora, aqui e ali, apareceram os embandeiramentos de ruas com pálida sobrevivência das centenas que havia através das freguesias.

Ainda não foi desta que vendi o meu peixe de ver as ruas da Baixa iluminadas como no Natal de agora e nos sãojoões de antigamente, quando o Centro era, ele próprio, arraial esfusiante de som e cor. E vida. Ainda não foi desta, mas há-de ser, quando a marca S. João do Porto se tornar realidade na promoção nacional e internacional da Festa do Burgo. Há-de ser e tem de ser, se quisermos atrair meio milhão de visitantes, encher hotéis e comedoiros, puxar pelo e incentivar o comércio e criar emprego.

Caiu-me, pois, a alma aos pés e levei um pontapé no coração, quando encontrei na “Visão” n.º 1054/2013 nada mais nada menos do que a promoção em Portugal do S. João da Corunha, que, embora em tradição, história e fulgor esteja para o do Porto como o óleo de girassol está para o azeite puro de oliveira, já foi classificado pelo Estado descentralista deles de “Interesse Turístico Nacional”.

Que o nosso Estado Novo ignore os interesses do País, não me espanta. Quem só conhece impostos dificilmente percebe que o S. João faz também parte da Reabilitação Urbana e pode ser gerador de riqueza. Que a Cidade perca essa oportunidade, custa-me a engolir. Depois de levar a bofetada do exemplo corunhês, não me vou calar enquanto não vir o Porto engalanado como era seu timbre, apresentado como pólo competitivo de atracção turística e, sobretudo, dignificando a sua herança cultural de séculos com a marca S. João.

2013©HelderPacheco

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