Fantasia Anticentralista

Nos dias 25 de Maio e 3 de Junho, viveu o Burgo acontecimentos marcantes. Memoráveis. No primeiro, em cidade pouco dada a deixar-se arregimentar (excepto por causas que valham a pena), e talvez por isso mesmo, foi possível juntar dezenas de personalidades voluntariamente atraídas pelo toque a rebate na defesa da Reabilitação Urbana e da rejeição do desprezo centralista relativamente ao Porto.

No segundo dia, celebrando o aniversário do JN, juntaram-se dezenas de convidados, irmanados no sentimento de pertença e afirmação da cidade, da região e do Norte (de Aveiro para cima, como o entendo). Nos dois casos, olhando as presenças, ouvindo os intervenientes relativamente à dignificação da região, veio-me à ideia a urdidura de um plano político.

E pensei: com algumas destas pessoas, que governo competente se arranjava já para o país. Veio então o diabo e arengou: «Estás maluco? Pensas que nós, os imperialistas do centralismo, aceitávamos ser governados por gente com iniciativa, habituada ao rigor das contas e a fazer sacrifícios?» E depois urrou: um governo que atacasse os interesses instalados na capital tinha que se haver com milhares de amesendados que ali pululam e de fazer frente a não se sabe quantos parasitas, assessores, consultores, barões, comissários políticos, acumuladores de benesses, administradores de prejuízos, fabricantes de leis anedóticas e leiloeiros dos nossos recursos vegetando à sombra do aparelho do Estado. «Estás maluco, ou quê?» – disse o diabo. E ameaçou: «Se acontecesse um governo de gente do Norte, tal como em 1847, durante a Patuleia, o Terreiro do Paço apelaria à intervenção estrangeira. Não da Espanha, França e Inglaterra mas, à medida dos ideais do Centralismo pós-moderno, da Al-Qaeda, do Hezbolah e da Jihad Islâmica.

2013©helderpacheco

Anúncios

~ por Helder Pacheco em 04/07/2013.