Anseios de um Tripeiro

Embora pareça pouco desportivo e arrostando com as iras vermelhas e verdes (que, mal podem, deitam unhas e garras de fora), confesso ficar passado com os insucessos do F.C.P.
Dizia o Bessa que somos do nosso clube quando ganha e quando perde. É verdade. Mas também dizia a minha amiga Quininha que a quem está habituado a ganhar custa mais perder do que aos perdedores crónicos. E a prova disso é que ver o Porto entrar na mediocridade custa-me os olhos da cara. Altera-me o ritmo cardíaco. Amachuca-me.
E, ainda por cima, desde a II Guerra Mundial, chateiam-me os alemães. De maneira que o deixar-se empatar e entregar os trunfos a uma equipa de 2.ª deixou-me nas lonas. Felizmente, com os santos, bruxas e fadas a ajudarem, lá se corrigiu a injustiça. É que, não tenho dúvidas, mais do que insucessos de uma equipa, os desaires do FCP são derrotas da cidade. Ele é imagem de marca, símbolo e bandei-ra das aspirações e realizações do Burgo. É o dique contra a ditadura centralista, o travão à total absorção do país pelo Terreiro do Paço, na última fronteira da resis-tência à hegemonia da Corte.
E não só. O FCP é recurso financeiro, instrumento poderoso de internacionali-zação do Burgo e factor estratégico da sua competitividade. No dia seguinte ao mal-fadado jogo com o Eintracht, centenas de adeptos germânicos passeavam no Cen-tro Histórico, compravam nas lojas, usavam os autocarros e barcos turísticos. A isso chamo eu animar economicamente uma cidade deprimida pelo terrorismo da auste-ridade, o flagelo do desemprego e a crise do comércio.
Um FCP forte, poderoso, vencedor, que continue a projectar país e Europa fora os nossos anseios de progresso e desenvolvimento, é ambição e anelo dos portuenses que não se esquecem nem abdicam da honrosa condição de ser tripeiro.

©helderpacheco 2014

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~ por Helder Pacheco em 01/05/2014.