Na alameda de Massarelos

A requalificação do espaço urbano destina-se, naturalmente, a melhorar a qua-lidade de vida dos seus utilizadores. A tornar a cidade mais cómoda, eficiente, segu-ra e, se possível, mais bela. Isto pensava eu, ansiando por um Porto melhor para todos – os de fora e os de dentro.
Infelizmente, nem sempre a projectação das mudanças corresponde a tal desi-derato. É a velha questão de se subordinar a realidade às pranchetas, amarrando os interesses das pessoas à estética pré-concebida. Abundam no Burgo exemplos da desqualificação que, em nome da modernização e das políticas conjunturais segui-das, atentam contra a memória, a identidade, a História e, até, a funcionalidade dos lugares. Basta ver a Avenida dos Aliados ou a Cordoaria.
Em Bilbau, preocupados em arranjar soluções para resolver problemas, inven-taram um modo de, em local de fim de linha, onde é impossível os autocarros inver-terem a marcha, instalar no pavimento um equipamento rotativo – como nas esta-ções ferroviárias -, comandado pelo motorista, que coloca o veículo na direcção da rua por onde veio. E toca a andar.
Entre nós, uma requalificação botânica semeou na Alameda de Massarelos (onde havia práticos e úteis passeios, quiosques e abrigos de passageiros) um rel-vado destinado ao novo desporto chamado ectrobol já que sobre ele só passam os eléctricos. Com o tempo e as intempéries o que poderia ser pasto útil para os reba-nhos, transformou-se em lamaçal, e o espaço outrora animado de vida e arraiais são-joaneiros é vergonha terceiro-mundista.
Agora que, finalmente, a Bolsa do Pescado se converterá em algo útil ao futuro da cidade, é altura da Ex.ma Câmara mandar rever, reprojectar e requalificar a requa-lificação que converteu um lugar emblemático da frente ribeirinha em terra de nin-guém.

©helderpacheco 2014

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~ por Helder Pacheco em 01/05/2014.