Uma consagração

O Relatório da Mesa da SCMP, de 1962, assinalava a criação, no Hosp. de Santo António, de um serviço quase visto como ficção científica. Falava-se nos jor-nais em «rim artificial». Os novos tempos batiam-nos à porta e, para se especializar nas técnicas de utilização daquela novidade, seria enviado «à Europa» um jovem clínico que viria a ser reputado especialista e académico: o Professor Levi Guerra.
Desde aí, o percurso de uma personalidade ímpar no nosso panorama científi-co afirmaria contínua intervenção cívica, na dedicação ao Bem Comum. Além de desempenhar papel relevante na fundação e divulgação da diálise renal no Norte e Centro do país, na carreira de Levi Guerra destaca-se a passagem pelos serviços de Nefrologia, Farmacologia e Investigação Renal, a par de actividade nefrológica clíni-ca, investigacional e docente em instituições médicas e universitárias de França e dos Estados Unidos.
A sua trajectória é exemplar: director do Hospital de S. João, dos Serviços de Biologia Médica da FMUP e de Nefrologia do HGSA (iniciando o programa de he-modiálises de doentes renais crónicos), da Fac. Medicina e do Hosp. de S. João. E muitas mais acções que aqui não cabem.
Clínico infatigável – herdeiro da tradição dos médicos que, ao saber e compe-tência, associavam ética e sensibilidade social – foi cofundador do Instituto Cultural D. António Ferreira Gomes, espaço de liberdade e pluralismo, coerente com os prin-cípios do humanismo cristão conciliando rigor, tradição e modernidade.
A atribuição ao Prof. Levi Guerra do Prémio Nacional de Saúde consagra uma carreira devotada à causa pública e honra o Porto. Oxalá a cidade que, frequente-mente, esquece o labor dos seus filhos e servidores, saiba distinguir a actividade deste portuense por adopção e servidor do Burgo por opção.

©helderpacheco 2014

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~ por Helder Pacheco em 01/05/2014.