Venham ao Porto

Ninguém se entende na Corte quanto às cerimónias do 25 de Abril. E como, em muitos aspectos, herdaram o Terreiro do Paço do Estado Novo (autista e divorciado dos portugueses), os próceres do Estado de pobreza entendem nada dever ao 25 de Abril. Pura fantasia!
De facto, a maioria dos gestores, políticos e fabricantes de leis protectoras de alguns, a maioria dos situacionistas actuais devem tudo ao 25 de Abril. Sem ele, não teriam usufruído da liberdade de tomar o poder e usarem-no em seu proveito. E disso a data não tem culpa, mas sim o facto de um dos três Dês que a revolução pro-punha – Democratizar – ter falhado redondamente.
Não era esta a Democracia a que aspirávamos. Uma democracia aprisionada por minorias, minada pela corrupção e incapaz de proporcionar dignidade e justiça à população, precisa de ser refundada. Uma democracia que tolera, em cada dia que passa, o cavar do fosso entre os que, à sua sombra, vivem à tripa-forra, enquanto milhões amargam as contas do quotidiano ou vegetam no limiar da miséria e do de-sespero, uma democracia assim é traição aos ideais de Abril.
Por isso proponho aos Capitães e políticos decentes que deixem o Terreiro do Paço comemorar a sua incapacidade e venham ao Porto. Façam uma sessão solene na Câmara da Invicta. A cidade que se bateu contra traidores (em 1383), espanhóis, franceses e ingleses. Que promoveu a Revolução Liberal e lançou as bases da República, está em melhores condições para consagrar os obreiros do 25 de Abril do que a Assembleia da República.
Especialmente porque – antes do resto do país – o Porto percebeu que a De-mocracia Portuguesa, para que o Dê que falta seja um desígnio nacional, necessita de outra gente. Venham, pois, os capitães festejar Abril ao Burgo e dizer tudo o que sentem na Praça da (nossa) Liberdade.

©helderpacheco 2014

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~ por Helder Pacheco em 01/05/2014.