Casal portuense cria aplicação que desvenda o Porto de forma intimista

Vítor Baía, Siza Vieira, Hélio Loureiro, Richard Zimler, Manuel Serrão, Antero Braga e Hélder Pacheco dão a conhecer a sua opinião sobre o Porto e os seus próprios roteiros.

Sabia que quando o antigo Presidente da República Francesa, Jacques Chirac, visitou o emblemático Majestic, no Porto, deixou o café surpreendido ao pedir uma cerveja? Esta é uma das curiosidades que a Oporto Insight, uma nova aplicação móvel para Android e iOS tem para oferecer sobre os mais singulares locais da cidade do Porto.

Em 2007, Marta Castelo e Paulo Ranito rumaram a Dublin. Após perceberem o forte marketing desenvolvido à volta da capital irlandesa, questionaram-se sobre o facto do Porto, “com tanto ou mais atributos”, não ter uma divulgação tão forte no estrangeiro. E assim nasceu a aplicação móvel Oporto Insight.

O que torna o Porto singular? Esta é o mote da aplicação desenvolvida pelo casal portuense. Após voltar para Portugal, Marta e Paulo começaram a pensar numa forma de potencializar, a nível digital, a cidade no mercado internacional. Após um extenso trabalho de investigação, surge este mês a Oporto Insight, que dá a conhecer não apenas locais a visitar no Porto, como os mais diversos roteiros sobre a cidade. Uma vez que a urbe é considerada pela segunda vez Melhor Destino Europeu, o público-alvo são sobretudo os turistas.

Após ter a ideia consolidada, era necessário colocá-la em prática. Paulo Ranito conta ao PÚBLICO, que para isso, contactaram a Appylab, a empresa que desenvolveu a vertente técnica e de marketing digital, que considerou a ideia “muito interessante”. Também o Departamento de Turismo da Câmara Municipal do Porto achou o projecto “com muito potencial” e desde logo se mostrou disponível em colaborar, tendo fornecido todas as ferramentas necessárias, como a base de dados do Porto Turismo.

Mas de que forma é que esta aplicação se distingue das outras? Este foi o verdadeiro desafio do casal. Durante mais de dois anos, Marta e Paulo aproveitaram os finais de tarde e os fins-de-semana para recolher informação e estudar a fundo a cidade. Desde as horas passadas na biblioteca municipal, consultando livros de historiadores, ou ainda as conversas “com verdadeiros tripeiros”, tudo contribuiu para tornar o projecto mais interessante. Paulo Ranito explica que a aplicação “não é apenas sobre o turismo do Porto, mas sim uma mais-valia devido à riqueza das curiosidades dos sítios mais singulares da cidade”. Uma descoberta até mesmo para o casal, que começou a ver a cidade com um olhar diferente.

Desde a experiência no estrangeiro, Marta e Paulo aprenderam a atribuir ao Porto “mais valor”, o que foi fundamental para criar este projecto. “Enquanto portuense foi muito enriquecedor, um privilégio adquirir este conhecimento da cidade. Agora apercebo-me como antes esse conhecimento era praticamente superficial”, conta Paulo.

Ainda que tivessem sido muitas horas a visitar locais e a falar com portuenses, Paulo diz que a receptividade de algumas pessoas foi muito importante. “Se em alguns locais, as pessoas eram mais receosas, noutros perguntavam: ‘Quantas horas é que vocês têm?’ E se pudéssemos ficávamos horas e horas a conversar”, relata.

Embora não seja um guia sobre a história do Porto, a aplicação apresenta curiosidades engraçadas e peculiares dos locais da cidade. E, além destes, Marta e Paulo decidiram introduzir também “roteiros identificativos do Porto”, que se adequassem aos vários perfis de utilizadores, aos seus gostos e preferências. Assim, é possível fazer uma viagem pela cidade baseado no Roteiro das Camélias – que identifica os principais sítios na cidade para apreciar a “flor do porto”-, o Roteiro Judaico – que dá a conhecer os locais históricos desta temática – ou os roteiros de literatura, que exploram a vida dos escritores portuenses Camilo Castelo Branco e Almeida Garrett, entre outros.

A aplicação conta também com o testemunho de algumas personalidades ligadas ao Porto nas várias áreas. Vítor Baía, Siza Vieira, Hélio Loureiro, Richard Zimler, Manuel Serrão, Antero Braga e Hélder Pacheco dão a conhecer a sua opinião sobre o Porto e os seus próprios roteiros. Paulo Ranito conta que a ideia é não apenas dar a conhecer a história, mas sim as tradições e culturas da cidade. E é isso que Hélder Pacheco, conhecido investigador nessa área faz, oferecendo aos utilizadores da aplicação experiências únicas e características, como por exemplo as festas de São Bartolomeu, em Agosto.

Apesar de a aplicação ter sido lançada este mês, ainda há muito para fazer. Paulo Ranito indica que a receptividade tem sido muito positiva e tornar a Oporto Insight “o pólo central da informação da cidade do Porto” e “a referência digital do turismo da cidade” são as grandes finalidades. No futuro, através de algumas parcerias, serão introduzidas outras ferramentas como o Instagram e o Twitter e informações sobre eventos e espectáculos a decorrer.

Para já, quem quiser aceder a este roteiro criativo, poderá descarregar gratuitamente no site ou directamente na Apple Store e no Google Play.

 Público/Sara Gerivaz  – 29/04/2014

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~ por Helder Pacheco em 05/05/2014.