Teoria do Design

Evocarei o meu amigo pragmático que afiançava ser o problema principal deste país uma questão de design – ou de falta dele. Não têm design os políticos, os planificadores, os arquitectos, etc. E dava exemplos.
São, de facto, aos montes. Topam-se a torto e a direito. No bairro onde moro há ruas em curva – coisa de design moderno – onde os autocarros não passam um pelo outro. E, caso surjam automóveis, alguém tem de esperar, talvez para poupar as curvas. Por falar em curvas, no topo de D. Manuel II, os autocarros que vão do Carregal não entram, se estiver outro nos semáforos. O designer da curva da saída do túnel é o protótipo de quem não foi capaz de desenhar algo que facilitasse o trânsito. Invenção de quem planeia a cidade no papel, na estética do gabinete e não na prova da realidade.
O máximo na matéria são os palitos de metal inventados por mente brilhante, plantados às centenas nos passeios. Ainda não aprenderam que o civismo dos automobilistas só vai ao sítio com consistentes dissuadores, tal como existem nas cidades inglesas (não consta que os camones tenham falta de design e sejam burros).
Verdadeira obra-prima da irracionalidade a desenhar o espaço público foram os caracóis enroladinhos em metal fronteiros ao Museu Soares dos Reis. Coisa lin-da, de concepção apurada. Foram todos para o maneta, amassados (propositada-mente) pelos invasores dos passeios para estacionarem. Por favor: ponham-lhes na frente algo assustador e protejam quem anda a pé. Amassem-lhes o material com fortes separadores e deixem-se de vanguardismos inaptos. Tratem os infractores como merecem e, já que ninguém reboca os automóveis, defendam, ao menos, os habitantes contra a tirania dos que se julgam donos das ruas. Livrem-nos do mal com bom design. Prático, eficaz, funcional.

©helderpacheco2014

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~ por Helder Pacheco em 27/05/2014.