Desportivamente falando

No hóquei em campo havia quase uma dezena de equipas disputando o Campeonato Principal. E outro, de Reservas! No Básquete, idem, com recintos apinhados de gente. E no Vólei. E no Hóquei em Patins. E no Andebol (de onze), que chegou a encher o Estádio do Lima num Portugal-Espanha! E no Ciclismo, com a pista do Lima sempre a rolar – até se corriam “24 horas à Americana”, e a Volta a Portugal, atravessando ou começando no Burgo, com as ruas em delírio.

Boxe e Luta Livre eram no Parque das Camélias, no de Duque de Loulé e, no Inverno, no Palácio entusiasmado. Rezam as crónicas que até o Water-Polo atraía milhares de espectadores à Bacia de Leixões ou ao Rio Douro, limitados com cordões, já que piscinas eram luxo dispensável, tal como Pavilhões e outras folestrias.

Mas esta era uma cidade densa, habitada, vibrante e estuante de actividade desportiva praticada e não vista na T.V. A cidade dos 300 000 habitantes. Da Baixa povoada, do comércio porta sim, porta sim. A cidade dos Grandes Prémios automobilísticos e dos 3 ou 4 campeonatos de futebol – quase todo amador. Dos clubes em cada Bairro e dos campos espalhados de Campanhã à Foz.

Da perda da influência e competitividade desportiva fala-se pouco, quando é tão perniciosa para a afirmação da qualidade urbana e social do Porto quanto a perda da sua expressão económica, financeira e cultural. E não é o facto de haver cada vez mais gente a correr pela marginal e nos Parques ou a andar de bicicleta por aí que salva o Burgo da inanição desportiva.

Por tudo isto e por todas as frustrações acumuladas, não posso deixar de saudar efusivamente o regresso do Boavista à 1.ª Liga. Fazia falta. Sem ele, a cidade não era a mesma, perdida na tristeza dos desertos cívicos. E que fique por muito tempo. Pelo Porto.

2014©helderpacheco

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~ por Helder Pacheco em 02/08/2014.