Civismo e Ciclismo

Devo dizer que considero mais civilizadas e progressivas as cidades onde se anda de bicicleta. Vivi numa, no Norte da Suécia, onde era o único que não sabia utilizá-la no sítio onde trabalhava. Bicicleta para ciclistas educados, sim, pois. E ponto final.
Outra coisa é que o Terreiro do Paço, através de leis à sua maneira (apressadas, incompetentes, gizadas por ambientalistas do ar condicionado), nos imponha a obrigatoriedade de suportar a ânsia da afirmação de ciclistas incivilizados em ruas, praças, passeios, passadeiras. Reizinhos do espaço público que agora é deles por obra e graça do “Diário da República”.
Em país onde a educação se generalizou nivelando por baixo, não admira que legisladores, trabalhando no joelho, nos queiram colocar na Escandinávia, ignorando a realidade boçal de número considerável de condutores e velocipedistas. Já não bastava suportarmos psicopatas ao volante, temos agora de aguentar a arrogância de alguns que, até há pouco tratados como indefesos, surgem alcandorados em senhores do trânsito.
Há dias, em zona chique do Porto, um pai queque industriava os filhos quequezinhos a circularem no passeio, indiferentes aos passeantes. Que se afastassem se quisessem. Em alguns bairros e até na Baixa, uns tantos imbecis de duas rodas vão-se habituando a fazer dos passeios sua coutada. 3 ou 4 a par na estrada, já é corrente. E até vi um mentecapto, nas barbas da polícia (entretida com uma manifestação), atravessar pedalando o átrio de S. Bento dirigindo-se para o comboio de bicicleta. Interceptado por um segurança, começou a mandar vir, cheio de razão. Novos tempos…
Livrai-nos, Senhor, dos legisladores de pacotilha e destes ciclistas que não lêem as leis ou não as sabem interpretar, e vão reduzir ainda mais a qualidade da nossa vida cívica.

©helderpacheco 2014

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~ por Helder Pacheco em 03/11/2014.