Prognósticos da Bola de Cristal

Gostem ou não, digam vermelhos, verdes, amarelos e afins cobras e lagartos de tal circunstância, a verdade é que o céu é azul. Azul da cor da esperança, do sonho e da expectativa de vencer. E o dragão, adoptado pelo casal formado pelos filhos de D. João I e D. Nuno Álvares Pereira, como símbolo nas armas do Ducado de Bragança, após D. João IV confirmado como tal, e doado ao Porto, em reconhecimento do heroísmo no Cerco, por D. Maria II, para figurar no seu emblema municipal, o dragão, dizia, é a marca do orgulho e altivez da cidade liberal. Azul, dragão e Invicta, eis, pois, a tríada indissociável do sentir tripeiro.
Os fulanos com a 4ª classe do meu tempo, afeitos a comer o pão que o diabo amassou, com cópias, gramática, palmatoadas, chamadas ao quadro, exames a torto e a direito e de admissão a tudo – gente, portanto, mal formada e sem sindicato – gente como eu, desapetrechada intelectualmente, adora futebol. Por isso, neste iní-cio de época e praticando o «bairrismo futebolista» de que falava um conhecido, verdadeiro e legítimo intelectual, aqui revelo, em 1.ª mão, os versos dedicados pelo decano dos humoristas e poetas portuenses aos anseios do clube da nossa afeição: «A Bruxa do Codeçal / E sem que eu lhe pedisse / Mostrou-me a Bola de Cristal / E eis o que a Bola me disse: // No Boletim Futeboleiro / No fim da competição / O “Porto” fica em primeiro / Pois será o Campeão! // Quanto à Águia de rapina / E ao Leão que é uma fera / A tabela determina: / Irão pr’á “Sala de Espera!”»
Oxalá a bruxa do Codessal e o meu amigo versejador João Manuel – portista há quase um século! – acertem plenamente. Para a maior glória do Burgo e o regozijo da sua gente, que bem precisada anda de compensações para o saque de que é vítima quotidianamente.

©helderpacheco 2014

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~ por Helder Pacheco em 03/11/2014.