De paraquedas

Croniqueiro neste jornal desde o século passado, arrisco-me a ser parte da mobília. A ter opinião sobre tudo. Não é verdade. Saber tudo compete aos comentadores da 1.ª Divisão opinante e eu pertenço ao campeonato das Reservas.
Quando me abordam para falar disto ou daquilo, de «malhar», denunciar, etc., respondo que a minha ignorância é especializada. E assim me vou safando dos futebóis ou das políticas, alegando que o sapateiro não deve ir além da chinela, etc. Mas por dentro fervo e contenho-me, para não destrambelhar.
Acontece que, embora andasse a pensar nisso desde a outra encarnação, há dias a Prof.ª Felisbela Lopes fez transbordar a minha fervença ao falar dos «paraquedistas». Dos que as confrarias partidárias cozinham para apresentar como candidatos em círculos com os quais têm tantas afinidades – de origem e vivência – como um extra-terrestre aqui chegado.
Sendo adepto dos círculos uninominais, da responsabilização dos deputados perante os eleitores e da sua função de defensores e promotores das regiões que os elegeram (e não verbos de encher das estratégias partidárias), temo que as próximas eleições apareçam inçadas de paraquedistas, distribuídos pelo país, conforme as conveniências.
E, como o Porto já deu nas eleições autárquicas e tem de continuar a dar exemplos e apontar caminhos em matéria de credibilização da Democracia, proponho aos concidadãos tripeiros que recusemos votar em partidos que, em lugar de gente de confiança, mandem para cá produtos de aviário a fingir que se importam com o esbulho centralista do Terreiro do Paço às regiões. O Porto deve rejeitar o paraquedismo político e malhar no centralismo partidário. (E lá fui além da chinela, meter-me onde não sou chamado. Mas, se fervesse mais, ainda estorricava a alma – e disso Deus me livre!)

©helderpacheco2015

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~ por Helder Pacheco em 19/07/2015.