Dizer bem

Há várias maneiras de encarar a História: fazer dela lição para o presente, conhecê-la para não cometer os erros do passado, celebrar as grandezas da Pátria, ou a sua rejeição como inutilidade. Quem sabia disto era Fernando Pessoa, que nos deixou a melhor definição do que é a História: «Canto, e canto o presente / mas também o passado e o futuro / Porque o presente é todo o passado e todo o futuro.»
A correspondência com tal perspectiva foi-nos dada agora pela Casa do Infante através do centro interpretativo “O Infante D. Henrique e os Novos Mundos”. E, para se entender esta magnífica exposição permanente, basta ler os objectivos que pretende atingir: «um olhar entre História e Contemporaneidade», possibilitando a «interpretação do passado» do monumento que é a Casa, e alargando «a percepção ao presente centrada na figura do Infante».
Assim se ensina a História à população. Ao povo (que bem precisado anda de readquirir orgulho pelo que estes dez réis de gente trouxeram ao mundo). Assim se explica à cidade (que bem precisada anda de substância cívica) a sua contribuição para a gesta dos Descobrimentos. Assim se utilizam as novas tecnologias ao serviço do conhecimento. E, além do saber científico demonstrado e da clareza com que esta viagem à figura do Infante é apresentada, o Centro é enriquecido pelo Museu da Casa do Infante com a ocupação romana, a Alfândega Régia e a Casa da Moe-da.
Num país em que grassam a incompetência e a corrupção que nos azedam os dias e obrigam a desconfiar e dizer mal, encontrar motivos para dizer bem é um retempero para a alma. Esta nova atracção é isso. E só resta aos portuenses irem vê-la, porque, contrariamente ao que alguns pensam, a democratização da cultura significa torná-la acessível à maioria e não apenas aos restritos do costume.

©helderpacheco2015

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~ por Helder Pacheco em 19/07/2015.

 
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