No Dragão

 MuseuMuitos duvidam da capacidade do Burgo para absorver tanto turista. Que se descaracteriza, perde identidade, degrada-se. O fim do mundo. Que qualquer dia há mais estranhos que tripeiros nas ruas.

Não sei se o Porto atingirá, em 2015, três milhões de visitantes. Penso que não. Infelizmente. De qualquer modo, se alguma vez chegasse aos seis milhões (como Bruges) ou 8 milhões, como Quebec City, então preocupava-me. Mas, como isso dificilmente acontecerá, não corro tal risco. Venham, pois, mais uns miles, a encherem isto da Feira à Póvoa, da Foz a Penafiel, a ver se o emprego aparece.

Preocupa-me é como fixar no Burgo os visitantes quatro, cinco dias. O que lhes oferecer, além de vinho do Porto e passeios no rio? Obviamente, a cidade em si mesma, do Esteiro ao Castelo do Queijo. E comércio de qualidade. Mercados, feiras e o Bolhão. Espectáculos. Música e teatro, do que enche recintos, com espírito, graça e categoria para todos.

Exposições, festivais e museus. Quero dizer, museus do nosso tempo. Atractivos e entusiasmantes. Como ando a precisar de carregar as baterias, fui visitar o Museu do FCP e fiquei deslumbrado. Na minha vida, só me enchera as medidas o Museu da História e Arqueologia de Montreal. Espantei-me agora ao pé da porta: no Dragão, mostra-se um século de história da cidade, numa experiência tecnologicamente avançada. E celebra-se a memória, interagindo com a vivência da contemporaneidade.

Claro que sou portista, mas, como dizia o outro, não sou estúpido e tenho discernimento para distinguir a categoria da vulgaridade. Separando o verdadeiro cosmopolitismo do provincianismo disfarçado de modernismo. Por tais razões, o Museu do Dragão honra a cidade com mais um trunfo para a tornar competitiva. Contribui para o reforço do orgulho do portuense com olhos na cara.

©helderpacheco 2015

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~ por Helder Pacheco em 19/07/2015.