O quiosque mágico

Artesanalmente, por carta ou telefone, na rua, esquina, loja, exposição, etc., a minha rede social funciona. E traz notícias frescas, boas e más. Desta vez más.
Foi o caso de um recado recebido de amigo atento ao que se passa por aí e fervoroso defensor da cidade (do Porto verdadeiro). Dizia assim: «aqui vai um apelo cívico-cultural. O quiosque situado no largo cimeiro à Rua da Picaria, de inspiração oriental, classificado de interesse municipal, foi vandalizado. Dois dos painéis laterais de madeira, rés ao chão, foram arrombados, convidando a novas afoitezas.» E, como se eu fosse representante do Olimpo, o guardião do Paraíso ou o procurador dos pobres ao pé do Governo da Cidade Eterna acrescentou: «Veja o meu bom amigo se, junto das pessoas que conhece, desde logo na autarquia, é possível travar o processo, salvar este precioso equipamento.»
De facto, o quiosque / pagode chinês do Largo de Mompilher é referência das infâncias da minha geração que nele se abastecia de Victórias. Viu-nos nascer e crescer. Foi testemunha de tudo quanto aconteceu no Burgo ao longo de quase um século. É símbolo, memória e monumento. E a ratazana (do lixo que anda por aí a conspurcar a cidade) que o vandalizou devia ir dentro – como fez o Giuliani em Nova Iorque – e pagar o prejuízo (embora os bem-pensantes viessem lacrimejar com o coitadinho, vítima da repressão fascista).
Quanto aos estragos, daqui apelo ao meu amigo António Fonseca, Presidente da inefável União da Vitória com Cedofeita, que costuma dar importância às coisas que fazem a cidade para deitar a mão ao que a ratazana roeu. E, por favor, além de recompor a casa dos nossos sonhos, faça com que o quiosque funcione, seja útil e venda coisas. Para bem da saúde cívica desta cidade, em muitos sítios entregue à bicharada.

©helderpacheco2015

Anúncios

~ por Helder Pacheco em 16/08/2015.

 
%d bloggers like this: