Mostrar o Porto

As imagens fotográficas são essenciais à promoção da cidade. Afirmam-na, distinguem-na, explicam-na. Registam-na e fixam-na. Contam a sua história, porque são a História. Roger Thérond (fotógrafo do “Paris Match”) escreveu que «A fotografia é a única maneira de fazer parar o tempo que passa.»
E o tempo do Porto anda por aí em livros, revistas, folhetos, postais, cartazes e, através da internet, corre mundo. Todavia, fica bem perguntar qual o conceito de Invicta difundido urbi et orbi. Quais as imagens que mostram a nossa identidade?
Há tempos, realizei uma investigação, analisando 270 fotografias de 30 revistas de viagens mostrando o Porto. O resultado foi esclarecedor: Ribeira, Ponte Luís I e Barcos Rabelos correspondiam a 25% do total. Os restantes temas espalhavam-se entre o vinho do Porto (12 fotos) e 34 locais com um registo. Mas a maior surpresa foi o número de fotos por freguesia, predominando S. Nicolau (74), St.º Ildefonso (59), Sé (40) e Vitória (24). Paranhos aparecia 2 vezes e Campanhã uma. Miragaia (5) e Massarelos (4) não faziam jus aos seus atractivos. As imagens dominantes eram da Ribeira / Ponte / Douro / Sé e Vitória e, um pouco, a Baixa.
Acho curto. E a situação deve ter-se agudizado, a avaliar pelo que mostra a internet. Embora o Património da Humanidade seja primordial, o Porto devia ser mostrado extensivamente, alargando a observação a outros imaginários. Celebrando o carácter profundo da cidade em lugares entre o sublime e o encantador: Foz Velha, Vale de Campanhã, Monte Covelo, Miragaia, Vale de Massarelos (onde agonizam os caminhos do Romântico), Prelada, Fontainhas, etc.
Amar o Burgo do Esteiro à She Shanges (a que chamam Anémona), reabilitá-lo e promovê-lo, eis o desígnio de um Porto para 12 meses e descobertas para todos os dias.

©helderpacheco2015

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~ por Helder Pacheco em 31/10/2015.