Um tripeiro alemão

Há estrangeiros que demonstraram amor ao Porto e sensibilidade para o promoverem em substância mais eficaz do que inúmeros portuenses – daqueles que só o são de letra. Fiéis impulsionadores do Burgo foram, por exemplo, John Whitehead, Frederick Flower, James Forrester, William Tait, Luigi Chian, Nasoni, Silvestre Silvestri, Téophile Seyrig, os Van Zeller, os Andresen, os Clamouse, Antoine Rippert, Jean Salabert, Hugh Owen e umas dezenas mais.
E, entre eles, o alemão Karl Emil Biel. Terá vindo para esta cidade em 1860 e nela se fixou até morrer, em 1915. Aqui seria presença marcante na vida social e económica. Como empresário, representou firmas germânicas (designadamente a Siemens) de electricidade e mecânica (instalaria a primeira central hidroeléctrica portuguesa em Vila Real, além da iluminação eléctrica, montagem de uma fábrica de botões e ampliação da rede de tracção eléctrica, no Porto). Tornou-se director da Coats & Clark, em Gaia, proprietário da Photographia Emílio Biel & C.ª e editor de obras de referência, com destaque para a “A Arte e a Natureza em Portugal”, a monumental edição de “Os Lusíadas” e “O Douro”.
Homem de saber, cultura e acção, Biel – além do mais, excelente fotógrafo – foi agora evocado na imperdível (até 21.09) exposição comemorativa do centenário do seu nascimento, patente na Casa do Infante. Sob o título “O Portugal de Emílio Biel”, a C.M.P. (detentora de parte do espólio do seu ateliê fotográfico) cumpriu com uma obrigação, celebrando a memória e a obra de um dos mais notáveis estrangeiros que amaram o Porto. (A cidade já tinha começado a pagar a dívida para com ele, quando a Comissão Municipal de Toponímia, presidida pelo dilecto portuense Miguel Veiga, propôs, em 2002, o nome de Biel para uma rua da urbe. Merecidamente.)

©helderpacheco2015

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~ por Helder Pacheco em 31/10/2015.