A reforma do Estado

Os indígenas da Vitória têm o coração ao pé da boca e o defeito de serem básicos. Crédulos. Ou lorpas. De maneira que quando ouviram falar na reforma do Estado imposta pela troika, logo pensaram em descentralização, aperfeiçoamento do Estado Social, reforma da Justiça (no sentido da eficácia, acessibilidade e rapidez), qualificação do SNS, rigor e competência da Escola Pública, equidade e justeza da máquina fiscal. Enfim, anteviram o aprofundamento desta Democracia desprestigiada, através da transformação do Estado num factor de Progresso e Desenvolvimento. Trouxas.

À boleia do Primeiro-Ministro (comentando algures que, em lugar de controlar a Banca, a Troika extinguiu freguesias), diríamos na Vitória que, em lugar de impulsionar a reforma do Estado, a Troika,  no caso portuense, mandou para a sanita séculos de instituições operativas, funcionais e úteis. Enraizadas na consciência tripeira e ancoradas no tempo da cidade, desapareceram do horizonte do Burgo onze freguesias.

De Excel em punho e planta do Porto em riste, os tecnocratas do Terreiro do Paço, mancomunados com os seguidores de ordens cá do Burgo, não estiveram com meias medidas: 15 freguesias é muito! Abatam-se. Subtraiam-se. Apaguem-se. Unifiquem-se. No D.R. passa a escrever-se Ildefonso e Nicolau. Como o ridículo não tem limites, abaixo os santos!

Dizem que o governo vai nomear uma Comissão para rever a extinção das freguesias. No Porto duvido do seu alcance, pois há quem goste deste caldo de dissolução dos territórios da alma, de fachada modernizadora. Por mim (como diria minha avó Joaquina), enquanto Deus me der vida e saúde, não me cansarei de verberar tal mistificação reformadora de que (tal como à V.C.I. e ao Acordo Ortográfico) me declaro visceral opositor. Sou da Vitória. Orgulhosamente.

©helderpacheco 2016

Anúncios

~ por Helder Pacheco em 17/04/2016.