Do centralismo televisual

A Fox Crime transmite actualmente a série policial “Lewis”, depois de ter apresentado outra, da mulher a quem nenhum salafrário escapa: “Vera”, Inspectora-Chefe da polícia. Antes, tinha-nos brindado com a notável “Midsummer Murders”, e ainda mostrara a série DCI Banks (Detective Inspector-Chefe). Tudo crânios de primeira categoria a desvendar os crimes que, pelos vistos, enxameiam pela Inglaterra fora.

Contrariamente aos países submetidos ao centralismo mediático, estas séries de nível internacional não foram realizadas em Londres, mas na «província». Uma, em Oxford, outra em aldeias encantadoras do campo, na região fictícia de Midsummer, “Banks”, filmada em Leeds, estende-se ao Yorkshire. E “Vera” desenvolve-se na Northumbria e diz-me muito. Vivi em Newcastle experiências profissionais inesquecíveis e revejo nos filmes as paisagens agrestes e tristonhas, as cargas sociais, o falar da gente do Norte, e recordo quem lá conheci.

Estas séries são impossíveis entre nós. A telenovelística nacional é dos tiques, caras, cenários, falares e artifícios da linha Lisboa-Cascais e seus arredores. É um mais do mesmo. Séries inesquecíveis como “Os Andrades” e “Um Táxi na Cidade” (com o saudoso Jacinto Ramos percorrendo o Porto) foram milagres de descentralização. E “A Ferreirinha” excepção numa deriva fora da capital por distracção dos tutores da produção pátria.

Devo dizer, em abono da verdade, que, ultimamente, na RTP, parece evidente o esforço de aproveitamento dos recursos portuenses. A produção de programas, documentários e séries fora dos lóbis e interesses espúrios terreiro-pacistas seria enorme sintoma de que o país abandonou o Absolutismo. Afinal, a área metropolitana de Leeds tem 700 000 hab e a do Porto mais de 1 milhão e meio. De que estamos à espera?

©helderpacheco 2015

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~ por Helder Pacheco em 17/04/2016.