Hurra, por um jornal

Do ADN portuense faz parte integrante da imprensa. E, mor disso, a sua liberdade, persistentemente proclamada e defendida pela parte da burguesia tripeira que Ramalho apelidava – pelos seus ideais e convicções – de patuleia.

No turbilhão das aspirações sociais, económicas e culturais oitocentistas em que a cidade se envolveu, a imprensa desempenhou papel fundamental. Em todos os domínios surgiram publicações no afã da divulgação de ideais, princípios e conhecimentos. Só uma ideia: Sousa Reis inventariou, até 1895, a existência de 290 jornais no Burgo. Matos Fernandes acrescentaria mais 355, entre 1896 e 1925! Estes números, numa cidade de 43 000 hab. (1801) e 203 000 (1920), são reveladores do hábito e afirmação de uma imprensa à medida de movimentos, instituições e iniciativas que nela se reviam. E, principalmente, porque à generalidade dos jornais deste universo bem se poderia aplicar o lema da Associação Comercial do Porto, alicerce de uma sociedade democrática: «O Trabalho e a Liberdade impelem-nos para a acção.»

Por esta apetência da minha terra por um jornalismo activo e liberto de tutelas, não posso deixar de assinalar o 70.º aniversário desse património da imprensa portuguesa chamado “Jornal do Fundão”. Órgão de afectos e memórias na ligação à diáspora. Exemplo de independência face aos censores, cinzentos ou coloridos, que nos atrasam o crescimento. Paladino da luta (que deveria ser intensa) contra a hidra centralista – devorista e totalitária –, não raro promovida por provincianos à cata de promoção.

Hurra, pois, pelo “Jornal do Fundão”, paradigma de dignidade ao serviço da sua «Pátria Pequena» (João de Araújo Correia dixit): a Beira Interior. Com um abraço deste indígena da Vitória – território malcriado e insubmisso – seu incondicional admirador.

©helderpacheco 2016

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~ por Helder Pacheco em 17/04/2016.