Mais um triunfo

A partir de agora conta o Burgo com mais um trunfo cultural, reganhando o usufruto do Museu do Carro Eléctrico. Usufruto, em primeiro lugar, para os portuenses cultivarem a nostalgia do seu meio de transporte mais querido. E cultivarem (os mais novos) o conhecimento sobre a evolução do transporte público, do carroção à actualidade (porque, apesar das malfeitorias por que passou quando quase o exterminaram, o carro eléctrico continua actual na vida da cidade).

E usufruto, também, para os visitantes à procura de carácter e identidade (é vê-los, por aí, extasiados, fotografando os veículos quando os apanham à mão). Assim, o eléctrico representa um elemento mais de competitividade na promoção da diferença e na oferta de atracções que tornem a cidade mais sedutora.

Este  Museu é um milagre. Representa a visão esclarecida de alguns. O sonho de futuro, o apego à tradição, a perseverança, a canseira e o entusiasmo de muitos. É um milagre antevisto pelo Eng.º Ferrer Loureiro, seu admirável impulsionador, realizado por várias administrações dos STCP que impediram a sua extinção. E incentivado pelo projecto da Porto 2001 de expandir a passagem do eléctrico através da Baixa. Um milagre, pois, de amor à causa do sentir portuense.

Aí o temos, multiforme. Provavelmente único museu no género, por conter a Central Termo-Eléctrica (de 1915) que alimentava a rede; a remise e as oficinas de construção e reparação; a magnífica colecção de veículos (de 1872 a 1950) e a maravilha de uns quilómetros de linhas na cidade.

Nesta história de sucessos só faltou a categoria para – ao menos – levar o antigo «Um» a dar a volta ao Castelo da Foz, em lugar de ficar medíocre e tristemente parado na Cantareira. E, se calhar, faltou audácia para, por Mouzinho, o levar à Praça. Talvez um dia…

©helderpacheco 2015

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~ por Helder Pacheco em 17/04/2016.