Take Another Plane

O meu amigo Élio andava a convidar-me para visitar a sua casa, em Santa Comba Dão. Resolvi, por isso, de uma cajadada matar dois coelhos: um fim-de-semana no campo e, como terá dito alguém da TAP ao Presidente da Câmara do Porto, ir ao Vimieiro fazer queixa a Salazar.

Lá fui entregar a reclamação ao fantasma de um ex-legionário, relações públicas no atendimento dos descrentes da democracia. Contrariamente ao que pensava, as ditaduras em realidade virtual já foram tocadas pelo Simplex. Assim, rapidamente, acedi ao fantasma do Chefe para lhe expor o assunto.

Expliquei que, de modo autoritário, a TAP iria retirar ao Porto carreiras com boas taxas de ocupação, concentrando tudo na sede do Império e apunhalando o Norte com uma linha directa Vigo-Lisboa. Desfaçatez e provocação. E pedi, no seu alto critério, que interviesse junto dos responsáveis no sentido de não prejudicarem o Burgo.

O espectro do Maior Português, eleito em concurso organizado por T.V. à altura, indeferiu a minha pretensão. Nem pensar. Isto era consequência da sua Escola política, da semente que cá deixara no hiper-centralismo lisboeta-patológico que achava adequado a país de tão honrosas tradições Inquisitoriais e Miguelistas. A T.A.P., ao decidir contra o Porto, confirmava a sua herança. E mandou o ex-legionário pôr-me fora do cemitério.

Descorçoado com a resposta Salazarista, em quem depositara tantas esperanças, logo pensei que a solução para o problema estava numa frase ouvida há anos a um inglês, com a mania da superioridade, que, gozando com a TAP, dizia significar «Take Another Plane» («Apanhe outro avião»). Ao que lhe respondi com impropérios racistas (de que me arrependo, pois o bife tinha razão).

Compatriotas: apanhemos, pois, outros aviões. Com esta bandeira não vamos a lado nenhum.

©helderpacheco 2016

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~ por Helder Pacheco em 17/04/2016.

 
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