Artista e cidadão

No dia 23 de Julho, o Porto transferiu-se para Penacova para homenagear o Pintor Martins da Costa que, nascido em Coimbra (1921), viveu no Burgo entre 1931 e 1973 e se exilou naquela vila beirã até à morte, em 2005.

O Porto deve-lhe intensa actividade artística ligada à cidade, destacando a Ribeira e as pontes, que o apaixonavam. E «arte pública» inexcedível, em murais no Palácio da Justiça, capelas dos colégios Brotero e Luso-Francês, escolas da Constituição, Monte Pedral e Soares dos Reis. Cafés Embaixador e Garça Real, e Invictus Supermercados. Em carta de 1992, diria até: «O Porto é a minha terra de adopção, de homem e de artista». Na academia portuense seria contemporâneo de notável plêiade: Júlio Resende, Nadir Afonso, Eduardo Tavares, Amândio Silva, Fernando Lanhas, Isolino Vaz, Júlio Pomar, António Lino e outros que integrariam o Grupo dos Independentes.

Em Penacova «construiu um lugar para invejar, sobre o Vale do Mondego, no meio das oliveiras e dos bandos de passarada». Ali encontrou o que considerava essencial. Ali produziu parte relevante da sua obra. Ali, cidadão do mundo, aceitou a humildade de ensinar alunos de uma escola perdida no país profundo. Ali escreveu crónicas límpidas sobre a gente, a terra e o sentido da vida. Ali defendeu os valores do rigor e honestidade promovendo o Bem-Comum. E Penacova retribuiu-lhe agora, publicando as suas crónicas, como “Contos Vividos”.

Mas o melhor que podia suceder numa vila onde, outrora, os «aristas» iam fazer curas de ares, seria assumir que o seu património cultural e paisagístico poderia converter-se em factor competitivo nacional e internacional, celebrando este cidadão exemplar através de um Centro de Arte Moderna Martins da Costa. Onde a grandeza do seu carácter fosse reconhecida. Por que não?

©helderpacheco2016

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~ por Helder Pacheco em 06/09/2016.

 
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