Do civismo no desporto

Andam por aí milhentas pessoas a correr, para abater a celulite, combater o estresse (não sei se é assim, em português ordinário, que o Acordo prevê) e gastar calorias. Nunca, como agora, ginásios, spas, piscinas, massagistas e outros meios, locais e técnicas de cultivar o físico, com ou sem P.T. (treinador pessoal, em inglês) tiveram tantos utilizadores. Nunca se andou tanto de bicicleta para fazer exercício e tanto a pé, para manter a forma e a elegância. E, dizem, a saúde.

Mas isso é uma coisa, outra são os índices de prática desportiva, de instalações, modalidades e clubes no Burgo. Sobretudo, quero dizer, os números ligados ao sentimento de pertença a um ideal cívico chamado desporto amador. O do amor à camisola. Aquele que fazia com que gente como meu pai – ínclito fluvialista – solicitasse em testamento ser sepultado coberto com a bandeira do seu clube. E foi.

Sobretudo, quero dizer, no sentido da honra, do brio e da lisura desportiva que o seguinte episódio revela. Aconteceu no tempo em que se jogavam campeonatos de hóquei em campo com dezenas de clubes na 1.ª e 2.ª divisões e Reservas. (Onde isso vai…) Disputava-se um desafio entre o Académico e o Vilanovense e, às tantas, numa jogada junto da baliza deste, o árbitro assinala golo do Académico. Parecia, mas não foi e quem melhor viu isso foi o atacante academista, que se dirigiu ao juiz da partida dizendo: «Ó Sr. Árbitro, a bola não entrou, tem de anular isso.» Com o acordo de todos e o golo anulado, prosseguiu o jogo.

O que eu quero dizer é que, apesar dos benefícios e conquistas do mundo moderno, vai fazendo falta este espírito de um desporto isento. De uma verdadeira escola de civilização no mais puro cavalheirismo, dando o corpo ao manifesto e ainda pagando por cima (onde isso vai…).

©helderpacheco2016

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~ por Helder Pacheco em 06/09/2016.

 
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