Tornei-me adepto do Leicester

Em 6.5.1948, após a visita ao Burgo da considerada melhor equipa do mundo – o Arsenal de Londres -, sensacionalmente derrotado pelo FCP no saudoso Estádio do Lima por 3-2, muitos portuenses tornaram-se arsenalistas. Por simpatia e orgulho. Ser arsenalista era recordar um feito heróico. Meu pai (que não era portista) fez-se adepto do Tottenham F.C., com galhardete, cachecol e tudo. No carro. Só para aferroar.

As minhas opções britânicas foram tardias. Quando estive em Manchester, nos anos 80, após a desindustrialização, encontrei-a em estado de coma e compreendi a importância do Manchester United para aquela gente, no desemprego e a passar mal. Via os adeptos saírem –, ainda do Old Trafford –, e também percebi porque Bobby Charlton lhe chamou “O Teatro dos Sonhos”. E, quando me explicaram o papel da equipa na reabilitação social e económica de uma cidade decadente, não hesitei: engoli a cor das camisolas e tornei-me adepto do M.U.F.C.

Mas como o princípio de que um homem pode mudar de tudo menos de clube não se aplica no estrangeiro, mais tarde, em Newcastle, recebi tanto das pessoas, que passei a apoiar a equipa de St. James Park. Sobretudo depois de me deliciar com o filme admirável de Mark Herman sobre dois adolescentes dos bairros vítimas das políticas de austeridade da Snra Thatcher. Apesar da pobreza, os catraios só pensavam em juntar dinheiro para irem assistir aos jogos do Newcastle United.

Agora mudei outra vez. Como não gosto de tubarões, barões, lavagens de dinheiro, milionários russos e manigâncias que transformaram o futebol em circo e gosto de amor à camisola, esforço, determinação e competência, tornei-me adepto do Leicester. Escreveu um hino aos valores da província, do «small is beautiful»  e da coragem. E, além do mais, é azul.

©helderpacheco2016

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~ por Helder Pacheco em 06/09/2016.

 
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