A última revolta

Em 3 de Fevereiro de 1927 fez agora 90 anos, mas, com a telenovela da CGD, nem se lembraram, eclodiu no Porto a chamada Revolução de Fevereiro. Visava derrubar a Ditadura Militar instaurada em 28 de Maio de 26. Protagonizaram-na as unidades militares do Burgo e foi comandada pelo General Sousa Dias, além do Comandante Jaime de Morais, do Capitão Sarmento Pimentel e do Tenente João Pereira Carvalho. E personalidades como Jaime Cortesão, Pina de Morais, José Domingues dos Santos e Raul Proença.

A revolta deu origem a um Cerco pelas tropas do Regime, que bombardearam a cidade a partir do Monte da Virgem. Apesar da inferioridade bélica, os revoltosos resistiram, levantando barricadas e trincheiras (a do alto de 31 de Janeiro seria conhecida como “Trincheira da Morte”). E foram esperando adesões, sobretudo da capital, que, até ao dia 4, esteve a pensar se devia aliar-se ao Porto.

Tal vai não vai, permitiu enorme concentração de meios ofensivos sobre o Burgo. Ainda assim, a partir de 5, movimentos populares pressionaram as forças republicanas lisboetas para aderirem à revolta, o que, de forma titubiante, aconteceu a 7. Tarde de mais. O Porto estava vencido, com mais de 100 mortos, 500 feridos e muitas destruições. Sarmento Pimentel designaria esta adesão tardia como a “Revolução do Remorso”.

A marca moral da Revolta do Porto encontra-se numa lápide da Capela de Stª. Catarina, em Lordelo. Diz assim: «Pelas 18 horas do dia 6 de Fevereiro de 1927, por necessidade, foi esta Capela (sacristia) abrigo das forças revolucionárias, não se tocando em qualquer objecto sagrado ou profano, a não ser em duas velas utilizadas para iluminação.» Para que não viessem acusá-los de desrespeito por um lugar sagrado, os republicanos deixaram o testemunho da sua honradez. Sem mácula…

©helderpacheco2017

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~ por Helder Pacheco em 11/06/2017.

 
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