Da pouca vergonha

Em 1975, Jacques Rigaud escrevia: «Quase dois séculos de democracia não impediram a política de constituir uma imensa impostura, a arte de conduzir os homens enganando-os.» Talvez por isso meu pai, republicano desde o 3 de Fevereiro de 27, pouco antes de morrer, em 1990, referindo-se ao que via, dizia que tudo isto lhe metia nojo. Lá tinha as suas razões.

Se fosse hoje, verificaria que a «imensa impostura» é global, vendo o descaramento, a falta de pudor e o oportunismo com que os mandantes europeus, sob a batuta alemã, procuraram assaltar a ONU, impondo Madama Kristalina, contra tudo e todas as regras!

Felizmente cilindraram a candidata com oito rejeições! E o meu habitual leitor, letrista e gazetilheiro, logo me enviou versos apropriados à desvergonha (troca Kristalina por Kristalisa, mas perdoa-se-lhe): «Batem forte, fortemente / Como quem acorda um morto / Quem será o indecente / Que tem um bater tão torto? / O Guterres lá foi ver / Deu logo para entender / Que era a D. Kristalisa / Que pela sombra deslisa / Fazendo ao Guterres frente / Ora isto é indecente / Quando se passa rasteira / Quase ao fim da caminhada / Por mais que seja matreira / Porque assim não vale nada! A Senhora Kristalisa / Tropeçou talvez com medo / Porque apanhou uma lisa / Ficando a chuchar no dedo! / E o Guterres foi eleito (…) Quanto às Nações Unidas / Coitadas, andam despidas / Por tanta desunião. / Vão ser agora arrumadas / Isto é: vão ser mudadas / Com o Guterres a patrão!»

Embora haja quem ache, nos tempos que correm, o amor ao país (por muito que o critiquemos) cousa parola e bafienta, indígena da Vitória me confesso. Exultei com a derrota dos donos da Europa e ainda mais com a nomeação de um português para a ONU. Sabe-me bem quando esta beira de terra ganha alguma coisa.

©helderpacheco2016

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~ por Helder Pacheco em 11/06/2017.

 
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