Eles merecem

O João a quem, em pequeno, chamavam «O Pei», tem 21 anos e uma particularidade: é portista desde que nasceu. Só faltou terem-no feito sócio antes de ser registado na Conservatória. Até o sangue que lhe passa no coração é azul e branco.

Portista, portanto, assumido e perseverante. Tem lugar no Dragão e não falha um jogo. Seja grande ou pequeno, importante ou não, com nacionais ou estrangeiros, lá está, de cachecol, no ritual das suas convicções. Como diria o Bessa, quando o Bairro da Sé era um território portista: «É a Paixão!» Aliás, em matéria de paixões, o João só as conhece de três espécies: a namorada, o curso de Engenharia e o F.C.P. O resto é acessório.

Por isso, exulta com as vitórias. Entristece, emudece e fica macambúzio com as derrotas. Até já se deitou sem jantar, com o desgosto de certas noites de inglória. E só manduca em chegando a casa, tarde e a desoras, porque, esforçadamente, em tempos de vacas magras, ia a pé de onde mora até ao Estádio e volta – uns quilómetros a dar-lhe. E nada o demove de apoiar a equipa. Nenhum infortúnio o faz vacilar. Nenhum desaire lhe amachuca a crença. Chova ou arda o sol, venham tormentas ou primaveras, brilhem ou não as estrelas nos horizontes dos campeonatos, nada lhe abala a fé e a esperança.

É por estes exemplos de jovens como o João, que se reviam e orgulhavam de um símbolo internacional da cidade, projectando-a europa ou mundo fora e, com as suas vitórias, lhes transmitia o sentimento do triunfo, que se torna imperativo redescobrir o estatuto de vencedor. De reganhar a mística e reconquistar a excelência. Quem, como o João, nasceu e cresceu embrulhado na bandeira do sucesso e enrijou a alma sendo campeão, não merece outra coisa senão um clube que o ajude a projectar os sonhos de futuro. No júbilo e na alegria.

©helderpacheco2017

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~ por Helder Pacheco em 11/06/2017.

 
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