Elogio da perseverança

Da identidade portuense faz parte o apego às tradições associativas. Embora tenha surgido ainda no séc. XVIII, imbuído do espírito das luzes, a essência do associativismo é oitocentista.

E destinava-se a dar resposta a problemas sociais, culturais, recreativos, educativos, etc. Surgiram assim, no Burgo, dezenas de colectividades que, com o aparecimento dos desportos e novos lazeres, atingiriam algumas centenas. Mutualidades, Cooperativas, Associações musicais, teatrais, desportivas, excursionistas e, no pós 25 de Abril, de Moradores corporizaram um forte movimento popular.

Herdeira dessa tradição é a Associação Recreativa e Cultural Conjunto Dramático 26 de Janeiro, de Ramalde. Comemorou agora o seu 93.º aniversário com a pompa das dificuldades e a circunstância do entusiasmo. Num tempo de transição, o “26 de Janeiro” sobrevive e resiste. Sobreviveu a dificuldades financeiras, ao êxodo da sua base social, ao desaparecimento de referências. Resistiu a crises directivas e de actividade e à crise mais recente que mascarou o empobrecimento como austeridade.

E festejou a longa caminhada, com músicas, danças e canções da Ramalde de antes das fábricas. Dos lavradores e dos bois dos cornos grandes. De um mundo agora extinto trouxe-nos a Ramaldeira, o Malhão das Palmas e a Chula. E propôs-nos um Plano de Actividades conciliando o teatro (com destaque para o XXI Amasporto), o Folclore (XXVI Festival e Janeiras, Rusgas, Desfolhadas, etc.), Pesca, Magusto, Jogos Tradicionais e Grupo de Cavaquinhos. E mais Karaté, Zumba, Capoeira e até uma Feira de Saúde (com rastreios à comunidade). Isto resumindo.

Para bem de Ramalde e da substância cívica da cidade, o 26 de Janeiro está vivo. E nele a chama luminosa do associativismo – solidariedade e convivência – continua acesa.

©helderpacheco2017

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~ por Helder Pacheco em 11/06/2017.

 
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