Finalmente

 Vou ser provinciano. Falarei do Natal à antiga, e do orgulho barrista de o viver no Porto. E desta pecha de amar assim um território de referências.

Já cheira a Natal. Respira-se, pressente-se, adivinha-se. No ar. Na atmosfera das ruas. No encanto invisível de um final de Outono cheio de névoas naturais e de neblinas artificiais do fumo das castanhas. Nas montras e, sobretudo, nas luzes (que, segundo me constou, fizeram sucesso quando foram acesas, juntando, em atracção insuspeitada, milhares de pessoas). E, olhando o programa “Porto. Cidade com Festas Felizes”, vemos que o tempo do Advento será verdadeira festa. Cheia de iniciativas e, especialmente, de música. Muita música. Da mais clássica aos Cantares de Janeiras. Dos Concertos sinfónicos aos Cantares de Reis. Conforme a tradição, teremos um Natal cheio de música, para todos os gostos e lugares. Na rua (que não é invenção anglo-saxónica, porque, em pequeno, sempre ouvi grupos cantando nas ruas).

Ó minha cidade bem-amada, ó cidade dos meus encantos, este ano, a comemoração do Natal está à altura dos teus pergaminhos. Com Feiras e Mercados (como os que se faziam em S. Bento). Com Circo (como era sempre – desde que me conheço – no Coliseu, mas não só). Com a Festa de S. Nicolau (que é o Pai Natal e, para os americanos, o Santa). Com o Presépio ao vivo. Com o “deitar o Ano Velho fora”. Com a Árvore de Natal (afinal, Ramalho não tinha razão quando, em 1865, criticou a do Palácio como anti-portuguesa). Com o Menino Jesus dos Clérigos. E outras gentilezas natalícias demonstrando que, esta Invicta e incomparável cidade (que só merece a redenção), compreendeu, finalmente, como dizia o lema de uma Associação do Sul do Tejo (onde estive e já não me lembro qual) que: «Quem não semeia o Progresso deixa morrer a tradição».

©helderpacheco2016

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~ por Helder Pacheco em 11/06/2017.

 
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