Há mais Portos

Jorge Sampaio lançou a frase «Há mais vida para além do défice!» Tinha razão. O problema é que o défice estragou a vida a muita gente que não teve culpa das más governações. A frase pode, todavia, adaptar-se à realidade portuense: «Há mais Porto para além da Ribeira.» Isto porque se ouvem vozes clamando contra o excesso de turismo. E de que qualquer dia há mais estrangeiros na Baixa do que portugueses. Etc. Mas a questão não se resume a excesso de turismo e à avalancha de visitantes.

A questão é que o Porto ainda não foi capaz de criar alternativas à excessiva centralidade da Baixa e do Centro Histórico. Uma por ser cosmopolita. O outro por ser Património da Humanidade. E no entanto há mais Portos.

Há outra cidade e seduções não promovidas nem valorizadas. E até desleixos e desprezos. Exemplos? O abandono do projecto da Porto 2001 nos «Caminhos do Romântico». A indiferença perante a potencialidade dos típicos caminhos, entre a Formiga, o Rego Lameiro e a Marginal. O desprezo do fantástico miradouro do Seminário, sobre a Ponte Maria Pia. O esquecimento da Arrábida com a sua vista esplendorosa sobre o estuário do Douro. As incomparáveis aldeias de Nevogilde e de Carreiras. A mais-valia de S. Pedro de Azevedo e dos seus rios (em Tirares, Lagarteiro, Pego Negro). O Monte dos Congregados. A atractividade do Monte da Musa chamado Fontinha. A Prelada e o seu parque. Os bairros de Miragaia e Massarelos, à espera da redenção. O Monte da Lapa e o seu moinho de vento. A beira-rio dos Guindais ao Esteiro. E poderia listar mais 20 ou 30 lugares que fariam a inveja de cidades das europas.

Não me digam que há excesso de turismo no Porto. Há é excesso de conformismo. E falta de imaginação para empreender noutros locais. E perceber que há mais fascínio para além da Ribeira.

©helderpacheco2017

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~ por Helder Pacheco em 11/06/2017.

 
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