No Porto real

O associativismo constitui parcela ímpar da identidade portuense. E, pesem embora os problemas, mantém-se insubstituível na coesão social das comunidades. Ciente disso e comemorando o 50º. aniversário, a Paróquia da S.ª da Ajuda levou a efeito uma tertúlia sobre o tema, considerando ter sido consolidada, também, devido à actividade das associações locais.

Só para terem uma ideia desta mais-valia cívica na vida dos bairros, basta atender a que nesta zona de campos e pinhais, a implantação de habitação social conduziu à sua maior densidade no espaço urbano. Em 1958/9, instalaram-se os primeiros moradores e, a partir daí, foram surgindo as colectividades: Ass. Desportiva e Recreativa da Pasteleira (1962, numa cave do Bloco 1 do Bairro); Associação do Bairro Rainha D. Leonor; Ass. de Moradores do Bairro Social da Pasteleira; Ass. Moradores do Bairro da Monteira; Ass. Moradores do Bairro Antigo da Pasteleira; Ass. Moradores do Bairro Pinheiro Torres. Sem esquecer o NDMALO (Núcleo de Defesa do Meio Ambiente de Lordelo do Ouro), com actividade relevante.

Eis um património e tradição incomparáveis. Segundo me apercebi de algum desânimo e evidente expectativa, expressos naquela tertúlia por membros das instituições, o movimento associativo está a passar por uma ausência de valores e dirigentes (os «carolas e voluntários» são heróis, em vias de extinção). Mas, apesar de tudo, subsistia certa esperança no futuro.

(E recebi uma lição de humildade e reconhecimento. Honrado por ter sido convidado para o evento – e bastava -, o Presidente da notável Ass. Desp. Recreativa da Pasteleira entregou-me «o único valor que podiam oferecer-me»: um porta-chaves com o distintivo da ADRP. Constitui das melhores distinções que recebi e, representando uma ferradura, talvez me dê sorte…)

©helderpacheco2016

Anúncios

~ por Helder Pacheco em 11/06/2017.

 
%d bloggers like this: