O sim no Porto

Como não considero sentimento pátrio e auto-estima nacional exclusivos de Madame Le Pen e da extrema-direita, gostei bravamente que Portugal ganhasse a Eurovision SongContest. Já andava farto de ver e ouvir desafinados a hurrarem, mulheres com barba saracoteando e seres transgénicos berrando numa orgia de efeitos visuais que aumentaram o meu astigmatismo. E sobretudo porque a cantiga portuguesa significa o regresso da bonita expressão francesa «chanson». Sentimental e melódica.

Inspirado nisso, hoje escrevo uma crónica de devaneio. À moda do Porto. E para isso não há como Camilo para ajudar à missa, dizendo, a começar, «Que a felicidade é possível sobre a terra», para logo advertir dos riscos da paixão: «Deu-me um pontapé no coração! Matou-me aquela mulher.» E ainda no mesmo transe apaixonado: «O deus cupido fez dos olhos de vossemecê duas setas que trespassaram o meu coração.» E por aí fora, mas falta-me espaço.

Vêm estes lances literários a propósito do seguinte: telefonou-me uma jovem empresária de eventos nupciais pedindo que lhe indicasse quintas românticas no Burgo. E revelou-me algo que me levou às nuvens do orgulho bairrista: recebe dezenas de pedidos de estrangeiros que querem casar no Porto. Pelo prestígio. As imagens. O que dele diz quem cá veio e foi contar, etc. Quem?, perguntei, inchado de amor próprio. Para já, filhas de russos cheios de massa; muitos ingleses tradicionais e brasileiros / as de ascendência portuguesa (ou, surpresa!, italiana). Menos frequentes, aparecem australianos e alguns franceses.

Estão a ver a nova promoção internacional da cidade? Assim: «Seja romântico a sério, venha casar ao Porto.» E outro blog: «Porto, uma cidade casamenteira.» Razão tinha o Mestre, ao escrever: «Descobri que ama! Só o Porto podia fazer tal milagre.»

©helderpacheco2017

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~ por Helder Pacheco em 11/06/2017.

 
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