Outro desígnio

Há viciados em drogas. Ou no álcool. No jogo e na comida. Nas compras e no sexo. Também surgiu o vício da internet, no facebook. Enfim, cada um vicia-se no que gosta e quanto a isso nada.

Eu sou viciado em Porto. No néctar divinal e no meu Burgo, pátria e Naçom. Nesta Invicta cidade eleita melhor destino de 2017 (e, por tal sucesso, caí das nuvens). Assim, para manter o vício, leio quanto  respeita à Cidade e escarafuncho todos os meios para a enaltecer. E uma das formas coerentes de o fazer é apontar-lhe defeitos e, especialmente, carências. Porque nem tudo é digno de apreço na realidade tripeira, pareceu-me importante que o Senhor Presidente da Câmara tenha assumido publicamente «o défice que o Porto ainda tem no que refere a equipamentos desportivos.» Finalmente uma das nossas vergonhas é admitida. Por isso e por muitas razões me congratulo.

Pertenço à geração que – na falta de piscinas – aprendeu a nadar no Rio Douro. Que jogou futebol e hóquei em terra batida. Que assistia a jogos de básquete, vólei e hóquei em patins sentada em cimento e a apanhar chuva. Porque piscinas e pavilhões eram luxos para as mentalidades baças. Depois, a minha geração viu a agonia do Estádio Universitário, a inutilidade do do Inatel, o desaparecimento dos campos do Lima, Bonfim, Belavista, Ramalde, Cavadas e Vila Meã. E, céus, até do Salgueiros!

Não fora a renovação dos recintos da Pasteleira e da Ervilha e, na matéria, o Burgo era um deserto. Um enxovalho. A Reabilitação Urbana em curso demonstra não haver impossíveis quando existe determinação e vontade política para a sustentar. É, pois, o momento certo para promover a regeneração dos equipamentos desportivos sobreviventes, adoptando-os como outro desígnio para o Renascimento desta cidade que, como se demonstra, vale a pena.

©helderpacheco2017

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~ por Helder Pacheco em 11/06/2017.

 
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