Sem tréguas

As férias trouxeram-me a leitura de um delicioso estudo de História bem escrita do Prof. Aurélio de Oliveira sobre “As Revoltas do Porto em 1591-92”. Aludia à oposição da cidade a Filipe II, quando este repôs as fronteiras e alfândegas que tinha abolido, prejudicando a livre-circulação com Espanha.

Desconhecia tal contestação. Vai daí, pus-me a fazer o inventário das revoluções, revoltas e motins portuenses ao longo da História. Abreviadamente: contra o Bispo, 10 (originando 6 excumunhões ou interditos da cidade; por razões políticas, 8; contra Castela, 7; por causa dos impostos, 3; contra os franceses, 2; pelos preços do pão, 2; por motivos religiosos, 2; contra os fidalgos, 1; contra importações, 1. Total, 36. Não é mau. Falta, no entanto, o longo processo de contestação ao Terreiro do Paço, que só não deu motins porque, apesar de tudo, o Porto é mais sereno do que parece.

Tem aguentado provocações, esbulhos, ofensas e remoques dos marialvas na reserva. («Quando virá uma boa aragem que lave tantos miasmas?» Antero de Quental, Cartas). Para não falar da famigerada história do B.P.A., recordo o que estorcegaram da «revolta pelo Coliseu», do Centro Português  de Fotografia no Porto e, recentemente, da vinda dos Mirós para cá.

A respeito dos apetites devoradores dos centralistas, descobri que em 1844, morto e enterrado um dos melhores governos do país (com evidente influência portuense), o que se lhe seguiu era de tal quilate que a Associação Comercial do Porto nomeou «uma comissão especial encarregada de elaborar protestos contra medidas governamentais.»

Ideia magnífica! Daqui exorto a Excelentíssima Câmara tripeira a constituir uma comissão análoga para responder à medida contra tudo aquilo que ofenda, descrimine e atinja as razões e direitos do Burgo. Sem tréguas.

©helderpacheco2016

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~ por Helder Pacheco em 11/06/2017.

 
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