Um erro da avaliação

Todos erramos. Com consequências, ou sem elas. Também erro e fico desapontado. Mas emendo a mão. Até peço desculpa e ala que se faz tarde para diante. Talvez para outro erro, mas a vida é isto. Um dos meus erros mais recentes foi passar na antiga Viela da Cadeia, agora Travessa da Rua Chã, mostrá-la e falar dela, afirmando, peremptório, que não tinha salvação possível. Que, perante o estado de ruína, abandono e degradação dos edifícios sete e oitocentistas nela existentes, não havia solução para eles. Pelo menos, no horizonte próximo e dadas as prioridades para outras zonas da cidade.

Enganei-me. Fui lá há dias, e não queria acreditar no que via. Miragem? Estaria sonhando? De facto, a reabilitação avança. Naquele sítio esquecido, parte dos prédios foram reconstruídos (muito bem) e os que faltam estão na calha para isso. Razão tinha um leitor do JN que em 2011 me dizia: «Requalifiquem-se mas é as cidades, atraindo gente ao centro, limitando as deslocações a que as pessoas são obrigadas por as atirarem para periferias desclassificadas, feitas tantas vezes por “patos bravos” para caixotes de dormitórios em terrenos de aptidões agrícolas. Olhe-se à reconstrução do património degradado das cidades-fantasma com prédios a cair (…)».

Este cidadão não ia na cantiga do efeito donut. Nem nas «bondades» dos planos que levaram à tragédia da terciarização da Baixa e do despovoamento do Centro Histórico. Embora tardia, retardada e criticada pelos pseudo-expertos de uma cidade quase em auto-implosão, a reabilitação urbana (que não seja apenas exercício de arquitectura e engenharia, mas também de cultura e, sobretudo, de inclusão social) é o caminho para o Porto recuperar a sua dignidade, a sua vocação civilizacional e a sua grandeza. A ela, pois, com todas as ganas.

©helderpacheco2017

Anúncios

~ por Helder Pacheco em 11/06/2017.

 
%d bloggers like this: