Um Porto literário

Uma das facetas da internacionalização das cidades é literária. O modo como impressionaram autores estrangeiros, levando-os a evocarem-nas nos seus idiomas e obras. E, nisso, o Porto tem tido cultivadores.

Desde o séc. XVIII existem dezenas de publicações (sobretudo inglesas) deste género. Tradição que se manteve durante o séc. XX, com os brasileiros Erico Veríssimo e Ribeiro Couto, o catalão Enrique Vila-Matas, os espanhóis Matilde Asensi e Ramón Ayerra, o italiano António Tabucchi, as inglesas Ann Bridges e Susan Lowndes, o saudoso François Richard, outro francês, Eric Audinet, a argentina Cristina Norton. E alguns mais.

Não admira. Na sua condição de cidade conflituando entre memória, afecto, tradição e modernidade, o Porto é um espaço literariamente motivador. Mas o mais intrigante é que dois autores que nunca cá estiveram o tenham incluído em versos de ressonância universal. Um é Walt Whitman, o maior poeta norte-americano, que nas suas “Folhas de Erva” escreveu: «Vejo as cidades da terra e ao acaso faço-me cidadão de uma ou outra, / Sou um verdadeiro Parisiense, / Sou um habitante de Viena, Petersburgo, Berlim, Constantinopla, / Sou de Adelaide, de Sidney, de Melbourne, / Sou de Londres, Manchester, Bristol, Edimburgo, Limerick, / Sou de Madrid, Cádiz, Barcelona, Oporto, Lyon, Bruxelas, Berna (…), Pouso sobre estas cidades, depois retomo o meu voo e afasto-me.»

E Nicolás Guillen, “Príncipe dos Poetas Cubanos”, na obra “La Paloma de Vuelo Popular”, escreveu: «Amo los bares y tabernas / junto al mar, / onde la gente charla e bebe / sólo por beber y charlar. (…) Búscame, hermano, y me hallarás / (En La Habana, en Oporto, en Jacmel, en Shanghai) / Con la sencilla gente (…)» Qual a razão da escolha ninguém sabe. Provavelmente pelo fascínio do nome.

©helderpacheco2017

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~ por Helder Pacheco em 11/06/2017.

 
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