Delírios de imaginação

Disse-me um amigo que devo andar mal disposto por escrever crónicas frequentemente azedas. Se calhar tem razão e achei algumas explicações para tal: 1.º Leio e releio Eça e Ramalho, cujo sarcasmo construído com humor me influencia; 2.º As telenovelas políticas criadas a propósito de tudo e de nada fazem-me, por vezes, duvidar deste país; 3.º O nível da presidência norte-americana (país que admiro), na luta entre a peste e a guerra, faz-me duvidar do futuro do mundo. De qualquer forma, prometo emendar-me e cronicar sobre coisas sérias.

Para isso, hoje comentarei um folheto que trouxe de França intitulado: «Montmarte: uma aldeia em Paris». Nele, lê-se: «Das sete colinas que rodeiam Paris, a de Montmarte deve a originalidade à sua configuração e à natureza do seu subsolo.» E ainda: «Conscientes do carácter excepcional desta aldeia parisiense, quatro hotéis de charme conceberam, com a ajuda dos comerciantes do bairro, este pequeno guia com o objectivo de nos ajudar a darem os primeiros passos na colina» (onde a «aldeia» se situa). A publicação inclui a história do sítio, mapa das ruas, localização do comércio tradicional, galerias, museu, etc. E ainda fotos e gravuras, antigas e actuais.

Viciado em delírios de imaginação, pus o inventómetro a adaptar o conceito ao Porto. Para promover a qualidade cívica do Burgo, desenvolvendo planos de reabilitação urbana, social e cultural, aproveitando recursos existentes, imaginei o potencial do carácter, identidade histórica e boniteza ambiental de locais ou bairros ou comunidades como a Foz Velha, S. Pedro de Azevedo, Monte da Lapa, Arrábida, Vale de Massarelos, Vale de Campanhã, Rego Lameiro / China / Nova Sintra, Vale de Miragaia… E dei por mim a murmurar: «Jesus! O que esta cidade ainda tem para dar e vender!»

©helderpacheco2017

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~ por Helder Pacheco em 19/11/2017.

 
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