Um museu na Pasteleira

Um dos problemas (ou defeitos?) do Porto é o atraso nas decisões importantes. Salvo as asneiras que, aí, são rápidas. A destruição do Palácio de Cristal ficou assente numa reunião de Câmara. E a do Jardim da Cordoaria foi superdiligente, tal como a da Avenida. As moradias setecentistas do Bonjardim desapareceram numa noite. Etc. Enquanto isso, vemos arrastar anos a fio decisões fundamentais para a melhoria da vida urbana (basta pensar na Avenida da Ponte) e os exemplos são às dezenas.

A inexistência de um Museu da Cidade era uma dessas situações. Desde que comecei a ser gente que ouço falar dele. Passaram câmaras de antes e depois de 74. E nada. Correram os anos e as águas debaixo das pontes. E nada. Europa fora, mundo fora, cidades grandes, pequenas e assim-assim têm o Museu da sua história. E aqui, nada. Até vilas e aldeias. Até freguesias. E aqui nada. Só promessas, planos e conversa. E, aqui, nada.

Umas vezes o museu seria num edifício único (vendo os de Londres e de Montreal, fiquei rendido a este modelo). Outras vezes seria repartido por núcleos ou pólos dispersos pela cidade. Era outro modelo. Mas o nada continuava.

Foi apresentado o projecto (em execução) do Museu do Porto aproveitando as instalações do reservatório de água da Pasteleira. Verdadeira relíquia industrial no Monte de Sobreiras, era o terceiro da chamada água da Companhia e abastecia o território até à Foz. Com um programa museológico explicando a história do Burgo desde o Cerco do Porto até à República, poderá fazer avançar a desconcentração dos recursos culturais da cidade, atraindo visitantes ao excelente e ignorado Parque da Pasteleira. Pela valorização de outros Portos que não a Ribeira e a Baixa, converti-me inteiramente ao projecto. E que a Invicta tenha, afinal, o seu Museu.

©helderpacheco2017

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~ por Helder Pacheco em 19/11/2017.

 
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