Um teatro na cidade

Em 1846, José Toulon Catalon mandou construir um barracão, próximo da Viela da Neta, e baptizou-o como Teatro-Circo. Seria demolido e substituído por novo recinto com o mesmo nome. Com a abertura da Rua de Sá da Bandeira, ali foi edificado o Teatro-Circo Príncipe Real, inaugurado em 1874.

Em 1910, tomaria a designação da rua e se, até então, gozava de grande aceitação pública, a partir daí transformou-se na sala de espectáculos mais querida dos portuenses. Inicialmente com óperas-bufas, operetas e apreciadas zarzuelas, com o incêndio do S. João converteu-se em teatro de Ópera. E, do género, o melhor dos anos 20 e 30 por lá passou.

Ganharia depois a sua vocação no teatro declamado e de revista, que conquistaram o coração tripeiro. As peças da dupla Arnaldo Leite / Carvalho Barbosa conheceram estrondosos sucessos e actores incomparáveis (sem esquecer o fervoroso tripeiro Soares Correia) pisaram o seu palco. Nos anos 50, acolheu concertos da Orquestra Sinfónica do Conservatório do Porto. E, com Vasco Morgado, viu desfilar espectáculos que inundaram o Porto de alegria, emoção e ídolos populares como Laura Alves, Vasco Santana. Ou Rui de Carvalho e Paulo Renato. E até Zeca Afonso.

No pós 25 de Abril, o Sá da Bandeira entrou em colapso. Comédia e revista seriam, para alguns, reaccionários (hoje, para outros, são parolos). Mas, nos últimos anos, o Sá da Bandeira renasceu das cinzas e reconquistou o perfil de teatro popular por excelência. E isso torna-o importante e indispensável numa cidade que, para ser inclusiva, verdadeiramente cosmopolita e, sobretudo, democrática, tem de acarinhar e desenvolver géneros, manifestações e espectáculos para todos os públicos. E não só para uns tantos. Que N.ª S.ª de Vandoma o proteja, pois, das derivas imobiliárias e culturais.

©helderpacheco2017

~ por Helder Pacheco em 2017-11-19.

 
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