UMA VEZ MAIS

Um amigo meu (cito Teixeira Gomes) «pessoa delicada e culta e muito amigo das coisas da sua terra», com a vantagem de correr mundo, escreveu-me sobre o asssunto de que muito se fala: o excesso de turismo. Embora centrada num universo que não o do Porto, transcrevo extractos da sua carta: «Estive em trabalho em Hong Kong, cidade de que muito gosto (…) Apesar de já lá ter estado uma dúzia de vezes só agora me apercebi do tráfego de turismo. Eu sabia que era grande. Mas não de 60 milhões, em 2018! Sim, leu bem. Hong Kong tem cinco vezes o tamanho do Porto (250 km2x45 km2) e 7.8 milhões de habitantes. Não há confusões, não há engarrafamentos. Tudo flui.»

Isto é de outra galáxia, mas a seguir o escrito pertence à escala do Burgo. E pode ser útil a alguém: «Há dias conheci um vereador da Câmara de Bordéus. Na sua área metropolitana deverá ter menos de 1 200 000 habitantes (menor do que a nossa). O ano passado tiveram cinco vezes mais turistas que o Porto. Não se queixam, ninguém se queixa. Aliás estão a ver como aumentar esse número e arranjar forma de que fiquem mais uma noite. Dizem que, com isso, recuperam a cidade, criam mais empresas e mais emprego. A cidade está mais alegre, tem menos crime, menos gente deprimida e menos gente doente. E helás! O vinho Bordeaux vai-se vendendo!»

Aquilo que eu afianço é que não temos turismo a mais mas Porto a menos. No seu território há dezenas de locais, assuntos, instituições que, impulsionados como atractivos de qualidade, aumentariam a sedução do Burgo. E remata o meu amigo: «Infelizmente, na minha cidade, os ignorantes ainda não repararam que a “avalancha de turistas” começa na Ponte Luís I, chega a Massarelos e com muita dificuldade sobe até Gonçalo Cristóvão. Ou seja: está tudo por fazer.» E tirou-me as palavras da boca.

©helderpacheco2018

~ por Helder Pacheco em 2018-06-10.

Uma resposta to “UMA VEZ MAIS”

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