BOLO DE S. JOÃO

Com o Bolo de S. João sucedeu um fenómeno ou um mistério de desaparecimento até hoje insondável. Todos sabemos que em Portugal não há festa sem doce e faltava-nos isso no dia do Santo Precursor, tão caro à cidade. Comíamos creme e pronto. Em 2004, por acaso, descobriu-se, numa notícia do JN, de 23.6.1901, que a Confeitaria Costa Moreira anunciava aquele bolo como «verdadeira especialidade desta casa». E assim continuaram os anúncios até 1949. E subitamente acabaram com a promoção tal como o doce até aí disputado por várias confeitarias. Porquê? Ninguém sabe. (Pelo menos eu não sei.)

Nascido e crescido na Invicta, nunca tinha ouvido falar em tal bolo, quanto mais prová-lo. Nada. Até que, graças aos esforços da UNIHSNOR e da APHORT e com a colaboração do Snr. João Oliveira, durante sessenta anos confeiteiro da Costa Moreira, que generosamente forneceu a receita original do bolo e o confeccionou expressamente, foi possível recuperá-lo. Com enorme sucesso. Ocorreu agora nova descoberta: um anúncio, de 23.6.1881, da Confeitaria Nova Brasileira, da Rua de St.º Ildefonso, comunicava a venda do bolo de S. João, a partir das 11 da manhã. Estamos, pois, diante de uma tradição anterior à vinda para o Burgo do bolo-rei (em 1882) e nada tem a ver com ele, como se pensava.

Portanto, tripeiros amigos meus: neste S. João que estamos vivendo toca a manter o costume que vem de longe. Comamos na noite ou no dia da festa o bolo inventado para tal efeito. Porque a alma da cidade, o seu carácter e diferenciação também são feitos de coisas assim. A ele, pois e Viva o Bolo de S. João.

©helderpacheco2018

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~ por Helder Pacheco em 04/07/2018.

 
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