CHI ATANGA

A revista inglesa “Courier” (dedicada à divulgação de “histórias de negócios modernos”) traz o Porto à ribalta. Pela mão da artista plástica e jornalista Berri Blue, que trocou Dublin pela Invicta («É a cidade mais criativamente estimulante que já experimentei», Público, 2.11.17), mostra uma faceta do Burgo que nos deixa perplexos.

E esperançados. Porque noticia os “novos” portuenses que, vindos de longes terras, não abrem lojas dos trezentos, mas trazem categoria e afirmam a qualificação da cidade. Berri Blue escolheu como sua «Favorita» uma marca de pijamas sediada no Porto, intitulada “Walls of Benin”. O seu fundador utiliza fibra natural com a qual produz um tecido de alta resistência com a macieza da seda. Chama-se Chi Atanga e escolheu o título, em homenagem às muralhas do Reino de Benin, destruídas pelos britânicos em 1897.

Na concepção dos pijamas Chi utiliza desenhos tradicionais africanos, considerados fascinantes. E exporta os tecidos e respectivos padrões do Porto para produção final no Quénia e Ruanda, por razões éticas: compensar as suas raízes criando emprego em África. Assim, desde 2015, este pacato e anónimo cidadão, no silêncio da sua actividade conquistou prestígio mundial. É de gente desta que o Porto precisa e tem de receber de braços abertos. Não vivemos tempos para a pasmaceira do «aquário dos imbecis» que, encostados nas Cardosas, se limitavam ao bota abaixo e à conquista das caixeiras. Venham, portanto, os Chis que, como este, ajudem a tornar o Burgo uma cidade mais criativa na conjugação da tradição com a modernidade. Internacionalizando-se.

©helderpacheco2018

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~ por Helder Pacheco em 04/07/2018.

 
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