ADEUS JOSÉ

Morreu o meu amigo José López de Los Mozos, professor, investigador, etnógrafo, historiador. Autor de “Guadalajara, Fiesta e Tradición”, uma enciclopédia monumental. Escreveu centenas de ensaios nas revistas Wad-al-Hayara e “de Folclore” e foi director dos “Cuadernos de Etnologia de Guadalajara”. Editou recentemente “Historias y Tradiciones Alcarreñas” e deixa obra notável sobre a Espanha profunda.

Admirador de Portugal – que não se cansava de elogiar – e do Burgo, comentava o que ia sabendo daqui: «Foi muito bom que tenham escolhido o Porto como melhor destino europeu. Em boa hora. Mas, atenção que isso arrasta um grande perigo. A avalancha turística é como o cavalo de Átila e por onde passa a erva não torna a crescer.

Há que medir bem que turista é uma coisa e viajante é outra e convém separá-los. O turista vai ao Porto como pode ir a Bombaim. Não lhe importa o lugar. Levam-no e conforma-se com isso. O viajante é diferente. Escolhe onde quer ir e o que lhe interessa. Viaja para conhecer e desfrutar. São gente que quer ver castelos, muralhas, igrejas, museus, etc., e deixar-se levar pelos gostos gastronómicos. As comidas dos ricos e dos pobres, caldo verde, fanecas e bifanas. Boas carnes e sobremesas generosas. E o café.» E rematava: «Bem vindos os viajantes e vão com Deus os turistas!»

O José ajudou-me com documentação espanhola sobre vários assuntos, sempre generoso e por pura amizade. Estes tempos têm sido uma tragédia: depois da Sílvia, partiram o Albano, o Vasco, o Zé Ferrugem, o Fernando Fernandes e agora o José. O meu mundo está a ficar cada vez mais pequeno.

©helderpacheco2018

Anúncios

~ por Helder Pacheco em 2018-10-28.

 
%d bloggers like this: