DO PROVINCIANISMO

Guardei um recorte do JN, da campanha eleitoral de Outubro de 2009. Nele, sob o título «Um Porto não provinciano», o Primeiro Ministro da época garantia da sua candidata à CMP que defeito que não tinha era o de «ser provinciana». Pelo contrário, olhava o Porto «como uma grande cidade europeia». E acrescentava: o país «precisa do Porto», mas não de uma cidade «tímida, pesarosa e tantas vezes lamentosa». E sobre o histórico da Invicta estava tudo dito. Era portanto preciso regenerar o «provincianismo» de uma cidade que só sabia lamentar-se.

Nas urnas, tais argumentos não passaram. A cidade, na época, estúpida ou parola, rejeitou-os. Não a convenceram. Aliás, a questão do provincianismo – tal como a do cosmopolitismo do Burgo – é corrente e recorrente no discurso sobre a cidade. O discurso ignorante que confunde tudo. Sobretudo o essencial que é considerar provinciano o tradicional, conservador e anti-moderno. Quando ele tem a ver com ideias e actos e não com aparências e, sobretudo, modas e imitações.

No Porto foi congeminado o mais inovador do pensamento e da acção política – a nobre arte de transformar a realidade e construir as sociedades: a Revolução (radical e moderna) de 1820; o Setembrismo (radical e moderno); a República (radical e moderna). E as suas auto-correcções: a Regeneração, a Renascença Portuguesa, e o 3 de Fevereiro de 1927. E continua a manter um pensamento rebelde, subversivo do Adamastor chamado centralismo. Esse sim, provinciano, reaccionário e anti-europeu. Que o Porto deve, sem parança, combater. Para o Renascimento de um país atrofiado.

©helderpacheco2018

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~ por Helder Pacheco em 28/10/2018.

 
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