ELOGIOS E ILUSÕES

O mundo fala do Porto. Sempre falou, muito antes do «boom» actual. Já relatos dos séculos XVIII, XIX e XX o faziam. Em 5.4.1904, o “Comércio do Porto” anunciava “Tours to Spain and Portugal” e «As Companhias “The Pacific Steam Navigation”, “The Royal Mail Steam Packet” e “The Orient Pacific Line” publicaram um folheto das excursões do Verão.» Do Porto diz: «É uma velha cidade comercial, a de situação mais bela na Península (…) a 5 milhas do porto de Leixões (já havia cruzeiros ali aportando!), ao qual está ligada por americano eléctrico.» E: «O anfiteatro de casario volta-se para o pitoresco rio e terras arborizadas. Os belos passeios do grande Jardim da Cordoaria e do Palácio de Cristal dão-nos um deslumbrante panorama (…) As ruas são amplas e formosas, as praças e o mercado cheios de vida, etc.»

Em 27.1.1926, o jornalista Charles de Caters (viajando de vapor), dedicava ao Porto, na revista “Sciences et Voyages”, um artigo «Encantado com a paisagem e o pitoresco da cidade». Mas critica não existir, no Douro, cais acostável como na Europa. E a descarga fazia-se com carros de bois e o «trabalho hercúleo das mulheres». Acha «banal» o Palácio, mas exalta «os magníficos jardins e o golpe de vista soberbo sobre o Douro».

No entanto, amável, não deixava de aconselhar: «Visitai connôsco a cidade do Porto». A Invicta era, então, uma cidade de pobreza, com as taxas de mortalidade mais altas da Europa e milhares vivendo em condições miseráveis. Mas ainda assim admirada. É por isso que devemos manter um olhar isento sobre a realidade. Porque nem tudo são camélias…

©helderpacheco2018

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~ por Helder Pacheco em 28/10/2018.

 
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