O TÉDIO SUBTERRÂNEO

Começo por afirmar que o abaixo dito nada tem a ver com o apreço pela obra do Arq. Souto Moura, e o convencimento de que algumas estações do metro do Porto são, arquitectónica e formalmente, excelentes exemplos do novo património da cidade. O meu problema é outro: não gosto de paredes vazias.

Assim, a primeira vez que entrei numa estação do Metro, já não me lembro qual, tive a sensação de ver uma cozinha. Com as paredes de azulejo nu. Tudo frio, asséptico e incolor. Também podia ser quarto de banho, como muitas moradias, mas esses eram coloridos e no Metro nem pinta. Monocórdico. Minimalista. Recordo-me também que as letras dos nomes das estações eram tão pequenas que tiveram de as ampliar para a malta saber onde estava. Enfim, pormenores.

De maneira que, perante a nudez das nossas estações, comecei a ansiar ver as paredes cheias de anúncios daquela marca de bebidas cujo defeito é ser vermelha mas animaria extraordinariamente os ambientes. Os Santos ouviram-me e os anúncios começaram a tapar o minimalismo e a alegrar os espaços. É por isso que não posso deixar de aplaudir a ideia dos 40 artistas que vão ilustrar – voluntária e gentilmente – umas tantas estações. É pena serem as que já não precisam. Deviam ir para o Heroísmo, Combatentes, Dragão, etc. Alegrarem aqueles espaços tão tristes (que, no Dragão, são ainda mais quando o Porto perde e a gente só vê vazio à nossa volta). “Arte nas estações do Metro ajuda a escapar à rotina”, titulava o artigo do JN . É isso: o Metro do Porto é um exercício de rotina cromática. Venham mais anúncios, de todas as cores.

©helderpacheco2018

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~ por Helder Pacheco em 28/10/2018.

 
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