PRAÇA DA BATALHA

Moradores acho que não há. Se houver são fantasmas. Queixam-se os passantes, passeantes e turistas do mau estado dos pavimentos da Praça da Batalha. Tudo partido. Não é bem assim, mas disseram-no no JN. Da Batalha eu queixo-me de tudo. É a pior praça (ou antes duas praças, porque dantes, em frente à igreja, chamava-se Largo de Sto Ildefonso) do Porto. A mais mal arrumada e mal redesenhada. Falo do trânsito e da utilização do espaço e não deste propriamente dito que, esse, é magnífico. Para se perceber como a Batalha foi desqualificada e desmantelada basta ver as fotos dos finais do séc. XIX até 2000, quando resolveram «regenerá-la». Foi o desastre.

Havia duas boas ruas laterais para o trânsito de então. Eram lógicas. E uma placa central para usufruto público. Agora há um simulacro de passagem para veículos que, com os entupimentos se torna o caos. E havia belas árvores, com boas sombras.

Não sei que mau olhado persegue a Batalha. No séc. XVIII, o corregedor Almada dotou a entrada da igreja com uma magnífica escadaria onde foi construído o primeiro monumento civil do Porto (um obelisco elegante, agora escondido nos muros da igreja). Nos anos 30 uma comissão, na mira do lucro, destruiu a escadaria almadina e substituiu-a por lojas. Pegados a elas havia mictórios públicos muito úteis. Em 2000 foram riscados do mapa e agora, na falta deles, urina-se na parede. Enfim, nem Sto Ildefonso, patrono do sítio, consegue o milagre de converter as duas antigas praças em algo útil, prático, expedito. Quem nos livra do pior aborto urbanístico do Porto chamado Praça da Batalha?

©helderpacheco2018

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~ por Helder Pacheco em 2018-10-28.

 
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